sábado, 10 de janeiro de 2015


ZÉFIRO





Vento vá de mãos espalmadas – e, segure ela, a pérola cintilante.
Rodopie e voem juntos até o mais alto que puderem e quando acima das nuvens estiverem, despenquem em queda livre. Sim, livre das circunstâncias, dos dogmas e paradigmas.
Mergulhem nas profundezas do amor que é oceânico e por lá permaneçam puros.
E no lirismo e arcadismo morfem. Sejam somente luz do querer e o dom do desejar.
Costurem seus corações, colem suas almas com o mais poderoso adesivo para nunca mais se soltarem. Escrevam juntos o livro dourado de suas vidas no segredo e ministério da verdade.
Pois somente o amor ordena a felicidade.

L/ROM.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015





Não sei da verdade, aliás pouco sabemos da verdade, então irei contar algo que permanece em meu ser. Para quem acredita em vidas passadas, preste atenção e para quem não acredita leia sendo apenas um conto pitoresco.

Era entardecer, em uma época a qual aparentemente distancia-se dos nossos dias, sem datas, locais exatos, apenas algo impregnado em minha alma. Eu era uma menina-mulher, devia ter meus quinze anos, morava em uma cabana de madeira escura, troncos rústicos em meio a uma floresta de pinheiros gigantesca. Dependendo do dia ainda sinto o aroma da madeira molhada que exala o perfume de musgo de carvalho. Um cheiro bem pitoresco, único. A luz do sol adentrava por entre as frondosas copas, refletindo no gelo que brilhava tímido e preguiçoso. Os pássaros cantarolavam, haviam esquilos e outros animais espalhados pelos arredores da cabana. Lembro-me pouco dos detalhes, mais sei que havia uma espécie de cozinha, fogão se assim posso dizer de ferro que colocávamos lenha, muitos potes, panelas eram ou de ferro ou de barro, tudo era rústico. Dormíamos sobre peles e lã, em um andar acima, eu e minha amada Mariáh, minha mãe postiça, pois eu fui abandonada cedo, talvez meus pais tenham sido mortos. Mariáh era uma senhora de idade avançada, cabelos compridos e grisalhos, sempre trançados. Duas espessas tranças caiam por seus ombros cansados. Ela era uma senhora robusta, olhos azuis. Eu era uma mocinha ruiva, cabelos bem encaracolados, sardenta, pele muito branca, bochechas vermelhas, lábios rubros e olhos verdes água, magra e alta. Tinha um cavalo caramelo tostado, da raça Percheron. Nome Thábor ou Thábora. Falando em nomes, o meu era Zyrennáh, muito prazer. Qual minha descendência, não sei. Certa feita, Mariáh pediu-me para seguir até um vilarejo ao qual tinha uma taberna e comprasse uma bebida amarga feita de ervas, não sei o nome. Fui até lá, já era entardecer, chegando na taberna, lugar escuro, cheio de mesas entalhadas de pinheiro, pessoas estranhas, com cara de pouco amigas. Pelo visto quase não íamos para a vila. Apanhei um barrilzinho também de madeira, todo trançado com couro e rebites. Entreguei ao senhor da taberna umas moedas de bronze pesadas e grandes e saí retornando para casa, eu e Thábor. Entrei na cabana chamando por Mariáh que não estava, estranhei, procurei por tudo e nada. Comecei a me preocupar. Então, vesti minha capa de lã marrom, sobre um vestido verde musgo, bem escuro, amarrado, trançado na frente, quase um corpete, era longo, e as mangas eram largas.  Coloquei o capuz na cabeça e comecei a entrar cada vez mais na floresta. O dia estava particularmente cinzento, havia nevado e o frio já estava começando. Cada vez mais frio e a neve começou a cair, já estava escurecendo, pois na floresta escurecia mais cedo. Eu nem me dei conta que já estava perdida. Busquei por alguma clareira e nada e a noite caiu. Thábor deve ter se assustado com algo, empinou e me jogou longe, e caí batendo a cabeça em algum galho no chão. Apenas me lembro que quando acordei, abri meus olhos e ainda embaçados, vi ao longe uma sombra, um cavaleiro e desmaiei novamente. Frio, cansada, machucada, provavelmente já com fome. Se ali permanecesse iria perecer e sucumbir naquela floresta. Não sei quanto tempo se passou, apenas lembro-me que acordei aquecida, próxima a uma fogueira. Vislumbrei a certa distância um homem de costas, cabelos compridos escuros, alto, corpulento. Escutei o relincho de Thábor e o homem se virou, indo ao meu encontro. Quando se aproximou, olhou-me nos olhos, seus olhos eram de um negrume sem tamanho, semblante severo, tinha uma cicatriz no rosto quadrado.  Vestia roupas pretas pesadas, lembro-me de um anel em sua mão. Ele se apresentou, dizendo chamar-se Khanthur. Aparentemente ele era um cavaleiro. Após isso, lembro-me que comemos, ele me levou para a sua vila. Lá pelo que eu sinto vivemos juntos. Esta é minha lembrança. Sempre tenho flashes de memória, pessoas dançando próximas a fogueiras, poucas casas, um rio. Um vale,  ataques de homens naquele lugar, tenho visões da vila pegando fogo, crianças correndo, também, não sei se tudo isso é apenas em uma lembrança, mais vejo-me sendo torturada em um calabouço, com pedras sobre as minhas pernas. E também, degolada. Quanto a Mariáh, nunca soube o que aconteceu com ela, que detalhe, éramos curandeiras, talvez considerasse-nos bruxas.  Eu não sei ao certo, apenas estas lembranças estão comigo desde sempre. E o Khanthur – o meu bárbaro, nômade, ou até um cavaleiro das antigas, sempre levo o seu nome em forma de amor e devoção. Se realmente encarnação existe, ainda espero um dia poder reencontrá-lo. Ele usava um punhal de cabo preto na cintura. Eu sinto, eles eram ciganos. Eu não sei de mim. Sinto falta desta época, das pessoas, das crianças, do celeiro onde armazenávamos grãos, dos animais, pelo visto, vivi por um bom tempo ali, até me tirarem a vida.

Já escrevi dezenas de vezes este conto, para tentar resgatar mais e mais lembranças...

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PÁGINAS DOURADAS





Buscando páginas douradas.
Destrói a mágoa escondida.
De determinadas adagas.
Amanhã terás hora partida...


Traz teu sorriso bandido.
Mira! Urra em cinismo!
Isola o maligno decaído.
Antes condenado no tal abismo.


Aprimora saberdes e instintos.
Inimigos são amigos inesquecíveis...
Agora almas flutuantes,
Erradicados no caminho.


Ampulheta e areia escaldante.
Amei após antigos amantes...
Sou Tília flor e amor bacante! 


L/ROM

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

 Sayadina - A rosa do deserto.




Do nada, meus pensamentos escoaram tal areia finíssima do deserto. Tive que me centrar e por pouco esqueci de mim. O vendaval foi avassalador, carregou-me deste tempo para outras dimensões. Eu Sayadina – Fui quase engolida por uma serpente de sete cabeças. Considerado o devorador de almas. Me refugiei na nossa caverna. 

Sentei e meditei em meio a tempestade...

Geralmente o deserto é meu amigo, não o temo, acostumei atravessá-lo. Ele é tão lindo!
O céu é magenta, seus gases cósmicos brilham dando a noite um despertar mágico.
O deserto é minha casa. Eu me distraí, tomada em comoção. Creiam eu ao longe vi, ela estava ali, ela me chamava, brilhava mais que mil diamantes à luz do sol. Impossível não percebê-la de tão rara beleza que por segundos me esqueci do dezesseis. Logo hoje, sábado, trina chama, em conjunção de minha criação. O grande despertar! Lógico que a serpente iria querer me engolir. No auge de minha fragilidade, ela dá o bote. Rompe as areias escaldantes, gigante, imponente, sem dar-me conta da ilusão, quase fui engolida. Mais quero falar sobre o deserto. Eu não pertenço a este planeta Terra. Sou filha do Todo, nascida e criada por Ele, entre bilhões de estrelas e constelações, ainda lembro-me de brincar com minúsculos asteroides. Na parte da manhã enquanto os três sóis apontavam circulando a nossa esfera, os gases bailavam multicores no céu. A noite as luas, que alternavam-se, maiores, menores, davam a sensação de preenchimento, felicidade. Na minha casa, tudo era perfeito. Sempre que possível, meu pai me leva até lá. Hoje em minha casa estou a completar mais um ciclo do viver nas chamas místicas do fogo inesgotável. Minha segunda iniciação. Quinhentos anos ou seriam quinhentos milhões de anos. Talvez setenta trilhões. Sou muito jovem ainda. Estou eufórica! O Lorde pediu para que eu caminhasse em direção a luz azul que flutuava, elevando-me em pensamento. Alguém aqui já voou? É tão bom! Eu me sinto como vocês quando vão para a piscina, leve, livre. Voar é assim. Ela, a flor mais rara de todo o deserto veio  acompanhar-me, voávamos, rodopiávamos de mãos dadas. Ela era a pureza. A luz primal. São tantas lembranças e vivências. Estudávamos sentadas em nuvens tão densas que não caíamos. Éramos quase éter. Meu pai disse para eu habitar a Terra e aprender os sentimentos a saber o que sentiam os humanos. Minha primeira tarefa. E eu desci, ultrapassei os doze portais. Me vesti de pele, carne e sangue. E meu mestre e guia trouxe-me para cá. Não estou sozinha. Pois então, hoje, justamente hoje eu retornei ao deserto, à minha casa. Revi amigos, mestres, professores, família. E fui caminhar para poder me encontrar. Esqueci do meu maior inimigo. Ele imergiu das profundas areias escaldantes. Tomei a forma das areias, ele me encontrou. Então, tornei-me mulher humana e não conseguia correr, nem voar, tornei-me fênix; - e, assim com muito custo fugi. Telepaticamente roguei proteção e logo lá estavam eles , meus protetores, os batedores d´água foram na frente, a serpente era astuta e sempre se desmaterializava retornando aos confins do Cosmos. Junto com ela sempre chegavam os opositores (demônios) não eram meros demônios, eram antigos, muito antigos, não se datava a origem deles. E assim eu Sayadina, segui até a caverna com a estrela de Órion – e lá finalmente pude refazer-me energeticamente. Retornando ao ponto zero de minha existência. Porém antes, banhei-me no líquido sagrado. Alimentei-me de especiarias. Busquei por Ele (Bendito Seja) e retornei a este planeta na condição feminil. Amanhã, segundo a luz da totalidade, tornar-me-ei senhora das sete luas sagradas (receberei da água da sabedoria), serei abençoada por Ele. 

(Bendito Seja). 

Irei recomeçar uma nova trajetória. Bendito sejam todos aqueles seres acima ou abaixo do Deserto que creem e são possuidores da fé. Desejo a todos da irmandade natural, que as águas nunca sequem e as lâminas jamais se partam.  Shai-Hulud é Senhor!    

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domingo, 4 de janeiro de 2015

*Quem conta um conto...conta a verdade?

ERA UMA VEZ



Nas areias escaldantes do Deserto do Saara me criei. Minha tribo era Imashaghen  - nos identificavam como nação Tamust. Uma cidade no sul da Líbia, numa região chamada "Fezzan".  Eu falava Tamasheq  entre outros dialetos e idiomas. Eu não fui árabe, fui Berbere. Nós éramos nômades, atravessávamos os desertos em caravana de camelos. Até hoje o meu tipo sanguíneo é A. Pertencia a uma casta muito antiga, pois as origens de minha família se perderam no tempo. Seguíamos a linha matriarcal e os nossos homens cobriam-se com o véu índigo, o Tamasheq , deixando somente os olhos amostra. O que até hoje, geração após geração, nos libertam dos maus espíritos; - além, de proteger-nos contra a inclemência do sol e, das rajadas de areia durante as nossas viagens em caravana. Sou conhecida como a Rosa Azul, a flor que pertence ao Deserto. Meu destino foi traçado pelas areias do tempo, um tempo que não é contado. O meu nascimento foi premeditado. Sou herdeira de um reino formado por castas que descendem da tradicional rainha guerreira Tin-Hinan e seu companheiro Takama. Pertenço a casta nobre, Imajeren. Nossos guerreiros portam a espada Takoba. 
Cujo formato lembra muito as espadas medievais das cruzadas. A lâmina larga de dois gumes tem um friso longitudinal e o punho é guarnecido por uma peça retangular, que lembra uma cruz. Nossa crença nos liberta. Cremos nos  espíritos Kel Asuf e a divinização do Qur'an. Os "Homens Livres" (Imrad) que significa "povo das cabras".  Hoje em dia criamos os dromedários. O nosso povo passou por muitas batalhas. Eu me lembro bem delas. E também me lembro dele, do meu guerreiro Tuareg. Nobre, montava um cavalo negro, crinas longas. Seus olhos refletiam o azul do céu (Bendito Seja). Eu adornava meu rosto com as cores vermelho, amarelo e azul, aprendi a dançar, éramos um povo muito alegre. No dia que eu o encontrei, estava caminhando pelas areias escaldantes. O silêncio só era quebrado com as batidas do meu coração. Quando nos vimos pela primeira vez, fizeram-se nuvens no céu. Eu procurava água. Geralmente eram os batedores d'água que se encarregavam disso. Mas em especial neste dia, resolvi seguir o meu coração. Ventava muito! Os tecidos sobre o meu corpo esvoaçavam. As areias quentes circundavam o meu ser em bailado. Ele surgiu.
(Bendito Seja) o meu ser amado. Ele se aproximou, tão devagar que parecia que as areias o arrastavam pra mim. Fiquei estática, ele só me fitava nos olhos, com os olhos da alma. Não eram mais dois corações a bater no deserto, o sincronismo era tanto, que Eu, Ele e o seu complemento, o sagrado cavalo, parte de sua alma sagrada, éramos um. E assim, Eu, Ele, O sagrado animal, as areias, as dunas, o céu acima de nossas cabeças entrelaçamos as nossas almas. Fundindo assim e reerguendo a nossa casta. Celebramos, encontramos juntos a água da vida. Tudo nos favorecia. Alegria, alegria. Até o fadado dia que os nossos destinos separaram. Reza a lenda que até hoje o Rei Tuareg busca por sua Rainha, a Rosa Azul que pertence somente a ele, o grande Deserto. Em sucessivas vidas, o tempo é o nosso aliado e uma vida após a outra sempre nos reencontramos. Temos muitos opositores, resguardamo-nos em orações. E assim seguimos a nossa trajetória de amor...  







Apóllōn


Como devo te cantar, tu que por tudo que és mereces o louvor?
— Homero, Hino a Apolo.[11]


Eis que,
É finita! É finita!
Encontrei.
Ele,  glorioso Sol.
Luz que caminha na verdade.
Filho de Zeus
Venerado.
O mais citado da Ilíada.
Apontou-me o pecado e
Preencheu-me de purificação.
Tornou-me Musa.
Consagrou-me
Iniciou-me no Oráculo de Delfos.
Temido por outros deuses.
Ninguém conseguia contê-lo.
Conhecido como morte súbita.
Curou-me da solidão.
Protegeu-me contra as forças malignas.
Lindo, perfeito e harmônico!
O Lobo que
Incitou-me à loucura.
Devolveu-me o
Equilíbrio e a Razão.
Em mistério revelou-se...
Sobreviveu intempéries do Tempo.
Amado e Odiado.
Profanou minha mente com ardor.
Rei Leão sagrado.
Dono dos meus pensamentos.
Despertou a consciência.

Fenômeno da natureza.
Fez-me em regozijar, reconstruir meus templos...
Tornou-me o próprio Oráculo.
Completou-me com beijos.
Apollon! Apollon! Apollon!
Eis-me aqui – Sou fruto do teu Amor.
Lembro-te tal ar que respiro.
Deus dos deuses.
Orbe sagrado, ungido por Zeus.
Uno. Reverbere em cânticos.
Meu Amor tu já tens...
Hórus Sagrado Deserto.

 Conhece a ti mesmo.
Nada em excesso.
— Inscrições no templo de Apolo em Delfos.


L/ROM

sábado, 3 de janeiro de 2015


Amar é:

Reconhecimento de almas
Quando a cor púrpura do entardecer mescla-se com o manto negro, as estrelas brotam no céu desabrochando, exalando um aroma de sonhos...

Eles, tais cisnes no lago valsam flutuando sobre as águas sagradas do desejo de ter mãos entrelaçadas no amanhã, em puro bem querer...

O borbulhar de águas sulfúricas, agregam os tons pastéis - quase marmóreos - das peles que se amam no crú do existir.

E o tempo explode em cataclismo em ondas gigantescas irradiando saudade dos lábios unidos, das íris cintilantes, dilatadas da paixão...

Eles tornam-se um pião girante sobre o globo terrestre, bailando...

Pois, amar é trançar as letras do alfabeto, mesmo sendo analfabeto.
O amor é rio fluente em todas as estações.


L/ROM.




sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Todo o ser humano tem em seus pensamentos - sonhos e fantasias, um mundo encantado que pertence somente a ele; - porém, fantasias e sonhos podem tornarem-se realidade, pelo menos através das letras...
Minha proposta é transmitir sem limites meus pensamentos; - e, criar um vale de suspiro, rascunho e magia pessoal. Sinceramente sinto que escrever é uma grande terapia e prazer. 

Espero que acompanhem o progresso desse simples Blog criado para todos os que não possuem limites na imaginação.

Bem vindos!

Carinhosamente,

Luciana Rocha. 

 

Mergulho literário!